segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ANIVERSÁRIO DE GESTÃO: COM MUITO ORGULHO

Após muito tempo sem escrever nesse espaço, volto hoje a fazê-lo, para comemorar 01 ano de gestão da nossa equipe frente a uma unidade prisional. Foram doze meses de muitos desafios, de pesquisas, de estudos comportamentais, de batalhas para estruturação física e funcional. Talvez a maior batalha tenha sido e continua a ser pelo preconceito com o qual fomos recepcionados; não pelos custodiados,  para nossa surpresa, houve uma boa aceitação desde os primeiros contatos. O preconceito sempre esteve entre alguns colegas de trabalho que não aceitavam serem gerenciados por uma mulher. Acreditando que nossa gestão não passaria dos primeiros dias, muitos apostaram no insucesso.  Hoje, sinto-me orgulhosa por ter conquistado também o carinho e a admiração de meus colegas, principalmente daqueles compromissados com a missão árdua de ser Agente Penitenciário. Posso dizer que, minha satisfação não reside na vaidade de ser a primeira mulher a gerenciar uma unidade masculina em Alagoas, ela reside em saber que, após 12 meses de trabalho árduo, fico contente em constatar o processo de ressocialização em seu estado embrionário dentro de cada custodiado que está sob nossos cuidados. Foi um ano de Vitória em  como comprovam os índices zero para fugas, rebeliões e mortes. Onde tivemos um crescimento de 80% no atendimento assistencial ao custodiado.  Reformamos toda a unidade substituindo a cor preta das grades por cores vibrantes e alegres, como amarelo e azul.  Propiciamos um pouco de dignidade ao agente e demais servidores no tocante as refeições, refeitório e alojamentos. Fazemos questão que o visitante não se sinta constrangido em estar naquele ambiente, damos um atendimento digno e respeitoso, pois somos a única unidade que não tem denuncia de familiares junto à ouvidoria, nos rendendo uma nota de reconhecimento.
Nada do que foi relatado seria possível sem a dedicação e o esmero dos nossos agentes penitenciários e demais servidores que, resolveram integrar-se a forma de gestão participativa que adotamos, aniquilando com a visão arcaica de punição e incutindo a forma ressocializadora.  O respeito pelo ser humano e a identificação da soberania do Estado está fazendo toda a diferença. Algumas pessoas ainda não conseguem entender o porquê de nossa unidade não ter registros de violências e abusos por parte de nossos agentes.  Deveriam passar ao menos alguns minutos conosco para tentar assimilar como trabalhamos não nos custa nada, fazemos por paixão ao ofício.
Cada ser humano tem o direto a ser tratado com dignidade, que apesar dos crimes cometidos, não podemos assumir o papel de carrascos, pois somos a personificação da lei e nela foi extinta tão figura. O “olhar diferente” é o segredo do que somos.  O processo de ressocialização é lento e difícil e, não se limita a dar ao apenado um oficio ou formação acadêmica, creio que o verdadeiro processo começa quando você o faz acreditar que tem potencial para mudar, que ele é importante para sociedade e ali, no cárcere terá a oportunidade que lhe faltou quando estava em sociedade.
Infelizmente, não posso comemorar plenamente, pois lamento a forma depreciativa que o poder público nos trata, não nos reconhecendo como peças fundamentais do processo e sim como coadjuvantes, retribuindo nossa dedicação com um salário vergonhoso. Algumas pessoas com baixo intelecto já falaram que nossa classe é imatura e despreparada, creio que estamos provando ao contrário, portanto, que venham os loiros na forma, não só de elogios mais também de moeda corrente.
Por: Leni Almeida

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