Olho pela janela da vida e nada vejo além de inércia...
Quero gritar para as pessoas que trafegam como zumbis, trajando roupas negras e arma em punho, tal qual a figura mitológica da morte...
Guardiões da própria morte, senhores de sua própria ignorância!
Pessoas mortas, de almas mortas e ideais apodrecidos...
Assassinas de si mesmo!
Grito, mas meu grito é oco, sem som, sem vida... Pois também estou morta!
Fui assassinada pela incoerência, pela descrença anunciada na derrota.
É, não sou apenas uma expectadora das desgraças ocorrentes, sou vítima dela!
Tive meu coração arrancado, não do meu peito, mas sim, de minha alma!
O que nos restou agora? O que será de nós, pobres materialização das esperanças mortas? Morri? Devo renascer? Acreditei? Devo voltar a acreditar? DEVO CONTINUAR? Não sei... E, quem sabe?
Os vermes, esses trabalhadores incansáveis das esperanças perdidas, devoram meu cérebro moribundo e não me permitem PENSAR..Não desejo mais pensar em nada!
Devo servir-lhes o que restou dos meus sonhos, dos meus ideais...
Só quero agora, repousar no leito de minha derrota anunciada e pedir que me deixem em paz, sim, desejo muito a PAZ!
Fecho os olhos e posso ainda vislumbrar, morte e vida numa batalha sepulcral.
Vida? Eu falei VIDA? Então estou viva! Estamos vivos? Sim... Talvez!
Mas, como me levantar? Como fazer pra ser ouvida, para gritar com os sons da verdade e da justiça fazendo o coração de minha alma voltar a bater?
Bem, é melhor volta à janela... Assim, posso vaguear o meu olhar moribundo, antes que os abutres o consumam!
Por: Leni Almeida
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